sábado, 12 de novembro de 2011

O lixo no rio Passo Fundo. Somos caboclos que não querem ser ingleses



Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
A burguesia fede, yeah
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia 
Burguesia, de Cazuza, George Israel e Ezequiel Neves.


O senhor do vídeo acima é o prefeito de Londres, Boris Johnson, limpando os rios do sul da cidade, com as mãos. Isso mesmo: com as mãos. Como parte de uma campanha de voluntariado para atuar em diversos setores problemáticos de Londres, o prefeito arregaçou as mangas e foi para a rua. Claro que a trollagem por conta do tombo no meio do rio foi grande. Mas o homem foi lá e fez. Mais detalhes em http://www.london.gov.uk/priorities/environment.


Com as mãos.

Aqui em Passo Fundo, a capital nacinal da(o) [neste espaço você coloca o que o google apontar nesta semana], as autoridades batem cabeça para entender como tirar lixo do rio que dá nome à cidade. O lixo fica em local de difícil acesso e as árvores não podem sofrer corte para a entrada das máquinas pois estão em área protegida. E assim segue a polêmica. E o rio segue podre. Parece que nossos punhos de renda são mais limpos que os ingleses.

 Lixo no Rio Passo Fundo. A foto é do jornal O Nacional. Se dá para fazer a foto, dá para limpar.

Autoridade do judiciário envolvida: por favor dê um canetaço e obrigue a limpeza manual, com barcos, correntes humanas ou o que seja. E determine que ações preventivas sejam elaboradas para que este lixo não vá mais para estas áreas complicadas. Sabe qual é a tecnologia da era espacial usada nestes casos? uma redinha esticada, entre uma margem e outra, impedindo a passagem de lixo flutuante. Como esta rede é instalada em um trecho do rio de fácil acesso, o trabalho é simples.

Mas pedir que limpem o lixo flutuante do rio em uma cidade que não consegue limpar direito nem o lixo das calçadas, é de dar dó. Aliás, não consegue limpar nem dar destinação.

De volta ao Cazuza. O "conceito" de burguesia, assim, no raso, sempre foi o rico sem-vergonha usando cartola e fraque, fumando seu charuto e cuspindo nos pobres. Na direita. No capitalismo selvagem. Lá na outra ponta, beeeeeem longe, na época desta música, estavam as esquerdas. Limpas, fofas, donas da verdade sobre os martírios humanos na latino america. Todas com camiseta do che guevara. Um Cazuza quase morto de AIDS cantava, entre uma cheirada e outra no tanque de oxigênio, estes versos tão perversos. A burguesia fede.

Algumas décadas depois, quem fede é o rio, com quase 8 anos de administração de uma prefeitura de "esquerda", com secretaria do 1/2 ambiente também de "esquerda" e com ares de Partido Verde.


Obrigado prefeito. Prefeito Boris, é claro!
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