Dia 26 de março de 2010 escrevi um texto aqui no blog sobre a situação da praça Antonino Xavier, a "Praça do Hospital da Cidade". Na época a minha insatisfação ia de encontro com os interesses da maior instituição de ensino local, ao usar espaço público para promover um evento próprio, ou o suposto destaque da cidade em um interesse pelas letras acima da média nacional. Foram espalhados os tais túneis da literatura por diversos pontos de Passo Fundo. A praça em especial recebeu um "tapa no visual" mas continuou ali com suas calçadas quebradas e brinquedos em péssimo estado. Mas com os tubos instalados. Em uma pomposa cerimônia de inauguração cheguei a indagar um proeminente deputado "da terra" sobre gastar dinheiro público nestas coisas em detrimento da reforma da praça. O mesmo disse que era assim mesmo, tinha que forçar o poder público a fazer algo (sic).
O tempo passa (e como passa). Olho para esta praça diariamente e penso que nada mudou. Quando verifiquei a data do post e a questão do número inteiro (o texto faz aniversário de 500 dias em 8/8/2011) resolvi colocar algo aqui. Eis que o destino coloca os problemas da praça novamente na cara da sociedade. Os mesmos problemas, ou melhor, mais barro e mais inaugurações. A praça ganhou, além dos tubos, um quiosque de literatura patrocinado e assinado por diversas pessoas físicas e jurídicas. A obra bagunçou ainda mais a situação. Destruiu canteiros, deixou o pessoal ali daquele setor com apenas dois banheiros químicos - aquele pedaço da praça é muito frequentado por acompanhantes de doentes do HC vindos do interior - e foi inaugurada às pressas para, aparentemente, coincidir com os festejos do aniversário da cidade, a vinda do Ziraldo ou qualquer data antes da Jornada de Literatura.
Não posso falar mal da obra dos outros. E como entendo que o que está na praça é de todos, trata-se de uma obra pública. Então aí vai a crítica: A obra foi inaugurada inacabada, tem falhas. A maior delas é ter em suas placas inaugurais outro nome que não seja do poder público em maior destaque, A prefeitura de Passo Fundo aparece em lugar menor. Em um quiosque, construído dentro da praça. Se houve alguma consulta pública eu não sei, mas nunca votaria na contrução de um prédio dentro de uma praça, que vira de costas para o passeio público. E a dissonância com todo o resto, é um capítulo a parte. Não cabe em um texto. Merece um blog especial.
Duas cenas do quiosque inaugurado - clique aqui para ver a solenidade. O barro toma conta da praça onde era um gramado. Na direita, o canteiro parcialmente destruído pelas obras. As fotos são deste sábado, 6/08.
Outra visão do quiosque.
A praça ganhou estes ferros, talvez para impedir as insistentes crianças que teimavam em passar de bicicleta por ali. Ok, alguns pulavam e não era muito seguro. Mas é uma praça!
O poste caído que foi destaque no outro post foi arrumado, mas posso garantir que todo o resto das calçadas e brinquedos quebrados estão lá, 500 dias depois. Algum desconto para os bancos que foram trocados.
Existem duas linhas a seguir para os leitores deste blog: a) o autor é um chato e só vê defeito em tudo, pelo menos alguém está fazendo alguma coisa e etc. e b) o poder público não tem uma política coordenada nos assuntos de urbanismo, não existe um plano eficaz de manutenção e reforma das praças da cidade e precisamos reclamar sim desta mistura do público e privado. Quer fazer algo pela cidade tudo bem, mas dos interesses da cidade deve cuidar a cidade.
As respostas virão. Geralmente uma fala mansa que todo político sabe dar. Vão dizer que já foram destinadas verbas e a previsão da obra x é a data y e por aí vai. Os 500 dias desta bagunça na praça? bobagem, o que importa é botar o bode na sala e depois tirar, recolhendo as glórias do ato.
Encontro com vocês novamente no post dos 1000 dias.





1 comentários:
Dissonante!
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