Quando assisti ao vídeo da Åsa no Youtube fiquei indignado mas não surpreso; tratei de escrever a minha interpretação (repetitiva) do 20 de Setembro aqui no blog e comentar na Comunidade de Passo Fundo no Orkut. Debates sobre "tradicionalismo" por lá sempre foram polêmicos, até mesmo por conta da história da cidade e suas incontáveis invernadas, CTG´s e tudo mais ligado ao tema.
Outras pessoas se interessaram pelo tema, incluindo um dos mais participativos membros da comunidade de Passo Fundo, o Paulo. O mesmo deu a idéia de começar um contato com entidades de Guaíba para esclarecimentos sobre o abandono. Eu tentei a via governamental sem sucesso. O email para a secretaria de turismo de Guaíba não foi respondido. Na realidade a caixa postal está lotada e não aceita mais mensagens. Não por sucesso, mas por abandono. Mandei um segundo email para o geral da prefeitura mas não tive resposta.
O Paulo conseguiu ser "lido" pelo diretor de comunicações do CTG "Caudilhos Guaibense", Rafael Cividini Gomes, que mandou um email longo dando sua percepção sobre os fatos. Este CTG fica na COHAB "Santa Rita", relativamente longe do centro de Guaíba (em todos os sentidos). Ele mesmo tratou de encaminhar uma mensagem para a secretaria de turismo. Tomara que tenha mais sorte.
O email:
"Obrigado por enviar a sua crítica, sempre é valido avaliarmos todos os pontos de vista.
O Marco Farroupilha, na praia da Alegria, certamente está abandonado, não temos como descordar de você nesse ponto. Mas sou testemunha de inúmeras reuniões e projetos, encabeçados pelas entidades culturais e tradicionalistas de Guaíba (destacando a incansável Miriam Leão e sua família) ao longo de muitos anos para que definitivamente fosse recuperado esse monumento e aberto a uma visitação decente.
Segundo constam os boatos, pois muita coisa nunca vem oficialmente à público, a ampliação da Aracruz previa um projeto de recuperação e acesso ao Marco, porém como quase tudo que é previsto em Guaíba, não se concretizou e voltou-se à estaca zero.
Enquanto entidades tradicionalista que somos, temos que esclarecer ao público as dificuldades de se manter as portas abertas, pois o apoio do poder público e terceiro setor é muito difícil e na maioria das vezes inexistente, pois a verba é escassa. Apenas uma verba nos é fornecida nas vésperas da Semana Farroupilha, a qual precisamos investir em tudo: apresentações, desfile, alimentação e toda a estrutura para que os integrantes do CTG possam participar e dar sentido às festividades. Quero ressaltar aqui que nosso CTG, o Caudilho, localiza-se num bairro que possui diversos problemas sociais e a maioria (maioria dos integrantes das invernadas não possui condições financeiras. Isso também deve ser administrado, pois é nosso compromisso social mantê-los dentro do galpão para que não fiquem na rua, sem demagogia, é realidade para nós e para os outros tbm
Mas eu lhe confesso que muitas vezes acabamos esquecendo de coisas importantes, como o marco farroupilha e o próprio cipreste. E olhando por outro ponto de vista, tu estás coberto de razão Paulo: realizar uma grande festa em nome dos farroupilhas e simplesmente esquecer que um dos maiores símbolos dessa história encontra-se em estado deplorável e esquecido, faz as coisas perderem muito de seu sentido.
Quanto ao Cipreste, todos os anos a semana Farroupilha se desenrola no Sítio histórico e, em 2009 houve essa experiência do Coelhão, que deu certo em alguns pontos, mas (deixo aqui uma opinião completamente pessoal) a essência se perdeu e o Cipreste foi deixado de lado sim. Eu vi isso com meus próprios olhos e presenciei as lágrimas da Profª Miriam Leão, que lamentou o abandono desse importante espaço cívico, pois a visitação caiu notóriamente e não há como negar isso. Sou monitor da Semana Farroupilha desde 2001, e sempre trabalhei atendendo escolas, inclusive de outros estados, que vinham visitar o sítio e conhecer a bela história que aquele lugar reserva. Fiquei decepcionado neste ponto também. Nos próximos anos é importante usar mais aquele espaço e talvez utilizar o Coelhão somente à noite, mas mais opiniões devem ser recolhidas sobre esse ponto, não só dos tradicionalistas, mas da prefeitura, escolas, comunidade em geral, mídia especializada, etc.
Nesse ponto não podemos culpar o poder público, mas sim avaliar o que ocorreu e propor mudanças para os próximos anos. A administração e nova e a equipe da SETUDEC teve sua primeira experiência (para muitos deles) em um evento tradicionalista e da cultura gaúcha em geral. E se existe a culpa, os CTGs e DTGs estavam juntos na organização. Mas certamente não foi por mal que isso aconteceu.
Te dou aqui minha palavra que esse seu e-mail será multiplicado, inclusive já postei o vídeo que me mandaste no twitter e encaminharei para a Secretaria de Cultura para que ele, de repente, possa ser o ponto de partida para algo muito maior que vise despertar os olhares da cidade e principalmente dos responsáveis (inclua aqui os CTGs e DTGs da cidade) para esse problema que não pode adormecer de novo.
Temos que aceitar que às vezes nós tradicionalistas limitamos nossa visão aos nossos problemas cotidianos dentro das entidades, pois o trabalho é voluntário e extremamente desgastante, e acabamos esquecendo daquilo que é coletivo e que, certamente tem muito mais importância, muito além de nossas próprias vaidades.
Obs.: Essa é uma opinião pessoal, não sendo a opinião oficial da entidade CTG Caudilho Guaibense, mas levarei adiante o seu apelo aos outros CTGs e a Secretaria de cultura municipal. Continue fazendo a sua parte e multiplique a sua idéia, assim ganharemos força num movimento que pode ser vencedor. Assumo e assino embaixo tudo aquilo que escrevi aqui.
Um baita abraço,
Rafael Cividini Gomes
Diretor de Comunicação
CTG Caudilho Guaibense
51. 819X.XXXX"
O Marco Farroupilha, na praia da Alegria, certamente está abandonado, não temos como descordar de você nesse ponto. Mas sou testemunha de inúmeras reuniões e projetos, encabeçados pelas entidades culturais e tradicionalistas de Guaíba (destacando a incansável Miriam Leão e sua família) ao longo de muitos anos para que definitivamente fosse recuperado esse monumento e aberto a uma visitação decente.
Segundo constam os boatos, pois muita coisa nunca vem oficialmente à público, a ampliação da Aracruz previa um projeto de recuperação e acesso ao Marco, porém como quase tudo que é previsto em Guaíba, não se concretizou e voltou-se à estaca zero.
Enquanto entidades tradicionalista que somos, temos que esclarecer ao público as dificuldades de se manter as portas abertas, pois o apoio do poder público e terceiro setor é muito difícil e na maioria das vezes inexistente, pois a verba é escassa. Apenas uma verba nos é fornecida nas vésperas da Semana Farroupilha, a qual precisamos investir em tudo: apresentações, desfile, alimentação e toda a estrutura para que os integrantes do CTG possam participar e dar sentido às festividades. Quero ressaltar aqui que nosso CTG, o Caudilho, localiza-se num bairro que possui diversos problemas sociais e a maioria (maioria dos integrantes das invernadas não possui condições financeiras. Isso também deve ser administrado, pois é nosso compromisso social mantê-los dentro do galpão para que não fiquem na rua, sem demagogia, é realidade para nós e para os outros tbm
Mas eu lhe confesso que muitas vezes acabamos esquecendo de coisas importantes, como o marco farroupilha e o próprio cipreste. E olhando por outro ponto de vista, tu estás coberto de razão Paulo: realizar uma grande festa em nome dos farroupilhas e simplesmente esquecer que um dos maiores símbolos dessa história encontra-se em estado deplorável e esquecido, faz as coisas perderem muito de seu sentido.
Quanto ao Cipreste, todos os anos a semana Farroupilha se desenrola no Sítio histórico e, em 2009 houve essa experiência do Coelhão, que deu certo em alguns pontos, mas (deixo aqui uma opinião completamente pessoal) a essência se perdeu e o Cipreste foi deixado de lado sim. Eu vi isso com meus próprios olhos e presenciei as lágrimas da Profª Miriam Leão, que lamentou o abandono desse importante espaço cívico, pois a visitação caiu notóriamente e não há como negar isso. Sou monitor da Semana Farroupilha desde 2001, e sempre trabalhei atendendo escolas, inclusive de outros estados, que vinham visitar o sítio e conhecer a bela história que aquele lugar reserva. Fiquei decepcionado neste ponto também. Nos próximos anos é importante usar mais aquele espaço e talvez utilizar o Coelhão somente à noite, mas mais opiniões devem ser recolhidas sobre esse ponto, não só dos tradicionalistas, mas da prefeitura, escolas, comunidade em geral, mídia especializada, etc.
Nesse ponto não podemos culpar o poder público, mas sim avaliar o que ocorreu e propor mudanças para os próximos anos. A administração e nova e a equipe da SETUDEC teve sua primeira experiência (para muitos deles) em um evento tradicionalista e da cultura gaúcha em geral. E se existe a culpa, os CTGs e DTGs estavam juntos na organização. Mas certamente não foi por mal que isso aconteceu.
Te dou aqui minha palavra que esse seu e-mail será multiplicado, inclusive já postei o vídeo que me mandaste no twitter e encaminharei para a Secretaria de Cultura para que ele, de repente, possa ser o ponto de partida para algo muito maior que vise despertar os olhares da cidade e principalmente dos responsáveis (inclua aqui os CTGs e DTGs da cidade) para esse problema que não pode adormecer de novo.
Temos que aceitar que às vezes nós tradicionalistas limitamos nossa visão aos nossos problemas cotidianos dentro das entidades, pois o trabalho é voluntário e extremamente desgastante, e acabamos esquecendo daquilo que é coletivo e que, certamente tem muito mais importância, muito além de nossas próprias vaidades.
Obs.: Essa é uma opinião pessoal, não sendo a opinião oficial da entidade CTG Caudilho Guaibense, mas levarei adiante o seu apelo aos outros CTGs e a Secretaria de cultura municipal. Continue fazendo a sua parte e multiplique a sua idéia, assim ganharemos força num movimento que pode ser vencedor. Assumo e assino embaixo tudo aquilo que escrevi aqui.
Um baita abraço,
Rafael Cividini Gomes
Diretor de Comunicação
CTG Caudilho Guaibense
51. 819X.XXXX"
Penso que é um email de um tradicionalista, com as demandas de sempre. Somado ao fato de ser um representante de uma instituição social no meio de um bairro pobre.
A degradação do monumento é um problema de governo. A história do estado do Rio Grande do Sul é maior do que o MTG. Maior que percepções, versões, paixões. O melhor caminho é o tombamento, a captação de verbas, a retirada do domínio da empresa no local e a atração de pessoas. Meia dúzia de interessados já está envolvida. Que o governo do estado acorde para a questão. E Guaíba está perdendo tempo com seus inúmeros pontos turísticos temáticos. Poderia ter um city tour histórico ou coisa parecida.

1 comentários:
A População de Guaiba esta equivocada em comemorar o 20 de setembro no Parque Harmonia em porto Alegre, sendo q o grande marco esta na sua cidade, se a Secretaria de Turismo usar um pouco de bom senso, torna o local um atrativo nacional
Esperamos que no ano de 2010 ou antes seja aberto mais dialogo entre os GTG s da cidade e cuidem com carinho os marcos que existem naquela cidade.
Paulo
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