Se você é daqueles que quer processar o produtor rural e o mundo inteiro após encontrar uma lagarta em um hortifruti, depois ainda tem a cara de pau de reclamar dos agrotóxicos, pense melhor. Encontrar uma lagarta enfiada no meio de uma couve-flor pode ser um certificado de qualidade. Por isso, quando acontecer com você, corte o pedaço afetado, jogue no lixo e continue o almoço. Reclamações dos consumidores fazem a cadeia produtiva procurar proteção nos venenos, como o saco que embala bananas protegido contra aranhas (só para citar um). O resto da história você já pode imaginar.
Abaixo o relato retirado do site "Sítio A Boa Terra", sobre o caso das lagartas:
Verão é época de calor e chuva, mas esta última veio com abundância exagerada. Sem contar a chuva de hoje 10/01/2007, somamos 211 mm de chuva em Janeiro. A média dos últimos 16 anos foi de 250 mm no mês inteiro. Então, em 10 dias deu um volume quase igual de um mês inteiro.
O ano que deu mais chuva nesse período de 16 anos foi em 2003, com um total de 480mm, uma média de 12 mm por dia!
A chuva dificulta bastante o trabalho na roça. Até agora, conseguimos plantar e colher as verduras conforme o planejado. Mas está difícil para preparar a terra para o plantio de novas mudas. Se passar o trator ou máquina na terra com excesso de umidade, ela vira um barro para “fazer tijolo” e não presta mais. Demora muito tempo para recuperar um solo estragado desta forma.
Para não usar muito o trator na chuva, estamos usando uma mula para fazer sulcos, puxar uma carpideira, etc. O pessoal diz que ela sabe “ler e escrever”. Querem dizer que ela anda certinho no lugar sem pisar nas plantas.
É interessante observar que, quando puxa o sulcador pesado na direção do pasto, ela anda bem rápida. Deve pensar que chegou a hora do descanso. Quando vira para o outro lado, anda bem devagar, sem ânimo.
Estamos contentes de que apesar de tanta chuva o brócolis e a couve flor estão bonitos. Mas são atacados por 2 tipos de lagarta. Uma é a lagarta rosca que vive no chão e sobe a noite para comer folhas ou cortar a planta toda. A outra é a lagarta da couve. Ela fica nas plantas, come bastante folha e se transforma em borboleta branca, que bota ovos para repetir o ciclo.
Na produção convencional são usados agrotóxicos para matá-las. Muitos destes são sistêmicos: penetram na seiva da planta, envenenando a planta toda e os insetos que ousam dar uma mordida nas plantas. Mais tarde, o consumidor ainda recebe a sua dose, pois não consegue tirar o veneno mesmo lavando a verdura o quanto quiser.
No orgânico, para nos defender das lagartas, podemos lançar mão de um produto chamado Dipel, que é uma mistura de bactéria, que não faz mal nenhum à natureza ou ao homem. Porém, com tanta chuva, o produto é lavado, o que impede alcançar seu efeito. Por isso, estamos tirando as lagartas com as mãos e matando. Devemos continuar com este controle manual, ou com a pulverização com bactéria,nos dias de estiagem até o período de chuva passar.
Para combater a lagarta rosca, fizemos um teste misturando Dipel com farelo de trigo umedecido. Jogamos a mistura do produto nos pés das plantas para as lagartas comerem quando elas saírem da terra à noite, mas não obtivemos resultados.
A planta que mais sofre com tanta chuva é a alface, que fica pequena ou mela. Uma parte das folhas de cada pé ficam sem condições de consumo. Emfim, só quero dizer que estamos fazendo o máximo possível para fornecer, também no verão, bons produtos.
Joop Stoltenborg
Os destaques são meus.
Disponível em http://www.aboaterra.com.br/dicas/ver.asp?id=34&Secao=1
Certificado de Qualidade ISO Lagartil
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